terça-feira, novembro 01, 2005

inadequada

Bem, o que posso dizer? Mais uma vez, mais uma vez... sempre me dizem que gostam de mim por eu ser quem eu sou, mas a verdade não é exatamente assim: na primeira oportunidade começam as sugestões de mudanças. Mudanças bem sutis, claaaro. Afinal, foi por eu ser quem sou que gostam de mim. Claaaro.
É obvio que eu quero mudar em vários aspectos porque quero ser uma pessoa melhor, mas isso não passa nem perto de mudanças na minha aparência: a cor e o corte do meu cabelo, as roupas que visto, nada disso é o foco das mudanças que pretendo efetuar em mim mesma. Foda-se a opinião do resto do mundo! É simples assim pra mim: eu uso o que me dá vontade, o que faz sentir confortável. Ponto final. No dia em que eu precisar de consultoria de moda, eu peço ajuda especializada.
É engraçado isso, as pessoas estão sempre prontas a me fazer alguma sugestão a respeito da minha aparência, mas não costumam é levar em conta que, ainda que digam um milhão de vezes que esta ou aquela peça me cai bem, se eu olhar no espelho e achar uma merda, não há insistência alheia que me faça sair de casa me sentindo desconfortável pra mim mesma. Eu posso estar vestida de maneira ridícula, absurda mesmo aos olhos dos outros, se eu estiver me sentindo bem, foda-se, é assim que vai ser.
Roxo. O cabelo permanecerá com as mexas roxas.
Continuarei usando camisetas com estampas debochadas.
Usarei calças folgadas.
Até quando? Bem, até quando eu enjoar. Pode ser que amanhã eu acorde e, ao abrir o guarda-roupas eu pense “que merda de visual, vou parar de usar essas merdas e vou andar de saia rosa e sandalinha bico-fino”. Pode ser. E se eu decidir andar assim algum dia, problema meu!
Detesto quando as pessoas se apegam a esse tipo de coisa.
Já não me basta ter que trabalhar? Agora eu também terei que fazer outras coisas que eu não gosto por motivos que considero inválidos?
Mas sabe por que esse post? Porque estou acostumada aos olhares de estranhamento das pessoas na rua, mas quando alguém que eu realmente gosto me faz sentir na necessidade de fazer coisas, me sinto desrespeitada. Me sinto anulada. Detesto ter que fazer coisas pra agradar mesmo sem a menor vontade de fazer. O bom de você fazer algo pra alguém é isso ser espontâneo, vir de uma vontade livre, não de uma mera obrigação do tipo “mas ciclano fez isso, então eu tenho que fazer aquilo”. Que merda.

Ah, mais uma coisa, meus senhores: porque eu sempre penso coisas horríveis das pessoas que não me dão motivo algum pra isso, O tirei da minha lista de amigos do iorgut. Não preciso me aborrecer até pela porcaria da internet. E eu entrei nessa merda de iorgut pra me divertir, pra passar tempo. É, eu devo ser mesmo uma pessoa horrível, e se não for, acabarei sendo por maioria dos votos... Que merda.

E pouco me importa que agora já é dia de finados. Os meus mortos andam sempre comigo.
Odeio cemitérios. Se bem que, neste momento, estou odiando muitas coisas... Porque eu passei rimel nos cílios, perfume, gloss e aqui estou eu, escrevendo e falando sozinha porque eu não sou empolgada o bastante. Porque meu timing é inadequado. Aliás, sejamos francos, o que em mim não é inadequado então?! Que merda.