possibly maybe...
"...as much as I definitely enjoy solitude
I wouldn't mind perhaps
spending little time with you
sometimes
sometimes
possibly maybe probably love
uncertainly excites me
baby, who knows what's going to happen?
lottery or car crash
or you'll join a cult
probably maybe..."
Descobri hoje que ele me dá vontade de ouvir Björk e abraçar meu travesseiro, na falta do abraço dele próprio...
Descobri também, com bem menos alegria, que perdi dois quilos. Agora peso pouco mais de cinquenta quilos e isso me deixa muito preocupada porque a sensação de que em breve acabo sumindo fica mais forte. Agora não é só coisa da minha cabeçona de mamão, a balança confirmou. Sim, meus senhores, talvez eu acabe me ruminando e suma, engolida de dentro pra fora pela voracidade das minhas inquietações.
A última descoberta do dia: não importa o que eu faça, o 115.1 nunca vai passar quando eu precisar dele, especialmente de noite, mais precisamente depois das 22h. Ele quer que eu espere muito pra chegar em casa por volta da meia-noite. O 115.1 e todos os demais ônibus me odeiam e querem me ver penar nos pontos de ônibus, de noite, sozinha, com fome e frio correndo de muitos lobos mais famintos que eu. Ok, essa última parte foi drama meu, eram só uns dois, não mais que três lobos...
Meus senhores, o que fazer quando alguém olha pra gente e nos desconcerta ao ponto de não podermos olhar ou falar direito com essa pessoa?
Pensamento maluco que me veio depois de vê-lo hoje: eu quis fazer um bolo pra ele! Quer dizer, pensei que deveria fazer um bolo e levar um pedaço pra ele. Meus deuses, estou regredindo à quinta série quando eu dividia meu lanche com meu vizinho-grande-amor-da-infância e achava que assim ele saberia que gosto dele. Por que eu não posso progredir como as pessoas normais? Anh, ok, não me digam que é porque eu sou anormal, meus senhores, porque esse é o tipo da coisa que uma pessoa fragilizada como eu não quer ouvir de ninguém, muito menos de vós.
Por que eu não pude simplesmente elogiar o corte de cabelo dele?
Por que eu não iniciei uma conversa nos poucos momentos em que tive a oportunidade?
Por que eu sou sempre evasiva e não olho nos olhos?
Ah, meus senhores, quem entende as mulheres?! Quem entende os homens?!
Não, não, não! Meus senhores, chega de meter os pés pelas mãos! Minhas vivências me levaram a evitar confrontos, não sei se por medo ou prudência. Eu não quero mais correr atrás de confusão não, chega! Eu não quero mais mover um dedo se for pra esses fins! Nem pensar, chega! A V 0.6 não vai fazer mais essas coisas não. Nem que seja por puro medo. Foda-se! Cansei de me sabotar, e toda vez que eu faço alguma coisa pra me aproximar de alguém eu me complico toda.
O medo é um professor muito eloqüente.
E eu não vou fazer porra de bolo coisíssima nenhuma. Nada de demonstrar afeição. Tenho mais é que ficar na minha porque isso não vai dar em nada mesmo e, na verdade, tanto melhor se não der em nada ao invés de dar em merda.
Tenho certeza que vou me estrepar se fizer alguma coisa, se der a entender qualquer coisa.
mas o que eu queria...
queria que quando sua mão me alcançasse,
eu fosse suave
e pudesse ser agradável aos seus olhos e ouvidos
e que eu fosse como uma mousse na sua boca
queria estar sob seus cuidados
e, no entanto,
está cego e surdo para mim
e, não me vendo, me desconhecendo, como poderia querer-me?
como poderia bem-querer-me?
corro sempre atrás do meu próprio rabo...
queria mesmo era poder me jogar nos seus braços
roçar essa pele de homem, agarrar esses cabelos de homem
porque você é homem no porte e até na meninice
um homem que não me é possível
que não me é dado conhecer
eu, mulher impossível, inviável, melancólica e besta
uma verdadeira cabeça-de-mamão...
como fechar os olhos e sonhar com este disparate?
sim, porque nós dois juntos é um disparate
o que tem a ver você junto de mim?
eu sou legal, beleza, mas desde quando isso é o bastante?
você é legal, eu sei, mas e o resto? cadê as outras coisas?
eu só sei que é fácil fácil me deixar levar pelas impossibilidades porque isso é Romântico, é Trágico, e eu adoro isso.
difícil é olhar pra você e me manter na mais profunda normalidade, como se o seu sorriso não me afetasse
como se eu não esperasse pela sua entrada na sala
como se eu não me esforçasse pra falar com outras pessoas quando, na verdade, era só a sua voz que eu desejava ouvir
porque nos conhcemos tão pouco... e eu queria conhecê-lo mais e mais
e, não sendo verdadeira a recíproca, sinto uma inutilidade enorme nos meus gestos, nas minhas palavras...
ah, meus senhores, encerro por aqui porque já sinto meus olhos úmidos e a voz, embora presa na garganta, pesada, embargada.


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